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Constituições - Capitulo V

O nosso modo de trabalhar

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1. Deus Pai, que sempre permanece em acção, chama-nos, por meio da graça do trabalho, a colaborar no aperfeiçoamento da criação e ao mesmo tempo a desenvolver a própria personalidade. Assim nos unimos aos nossos irmãos e promovemos melhores condições de vida na sociedade.
1  Jesus Cristo conferiu uma nova dignidade ao trabalho e converteu-o em instrumento de salvação para todos, quer trabalhando com as suas próprias mãos, quer aliviando a miséria humana, quer anunciando a mensagem do Pai.
2  São Francisco exortou os seus irmãos a trabalharem fiel e devotamente e, com o seu exemplo, deu um testemunho da dignidade do trabalho, partilhando também, neste aspecto, das condições de vida dos homens.
3  Como seus fiéis seguidores, em conformidade com a primitiva tradição dos Capuchinhos, identificados, como verdadeiros menores, com a condição de grande número de trabalhadores, entreguemo-nos, de ânimo alegre, todos os dias, ao trabalho, para glória de Deus, evitemos a ociosidade e prestemos o nosso serviço aos irmãos e aos outros homens, em espírito de solidariedade.
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1. O trabalho é o meio fundamental do nosso sustento e do exercício da nossa caridade para com todos os outros homens, sobretudo quando partilhamos com eles o fruto do nosso trabalho.
1  O trabalho de cada um dos irmãos deve ser a expressão de toda a fraternidade. 2  Cada irmão, de acordo com os dons recebidos de Deus e as suas condições de idade e de saúde, empenhe, jubilosamente e sem reservas, todas as suas forças, tendo em consideração as necessidades da Fraternidade.
3  Cuidem os irmãos de não fazerem do trabalho o seu fim último e de não lhe dedicarem um afecto desordenado para que não impeçam o espírito de oração e devoção, ao qual todas as outras coisas temporais devem servir. 
4  Evitem, portanto, toda a actividade exagerada que também impede a formação permanente.
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1. Cada um de nós pode assumir várias espécies de trabalho, de formas diversas, conforme as suas próprias qualidades e os dons especiais de Deus.
1  Assumamos os trabalhos e os serviços na medida em que condigam com a nossa vida de fraternidade ou sejam exigidos pelas necessidades da Igreja e dos homens.
2  Ficam-nos bem, sobretudo, aqueles trabalhos que melhor manifestam a pobreza, a humildade e a fraterniddae; com efeito, não consideramos nenhum trabalho menos digno do que outro.
3  Com o fim de tornar mais frutuosa a graça do trabalho, para nós próprios e para os outros, procuremos, na diversidade das nossas actividades, assegurar a nossa forma comunitária de ser, prontos a ajudar-nos mutuamente, trabalhando em equipa, e assim progredindo, também, na conversão do coração.
4  Tenhamos, porém, sempre em mente a nossa vocação apostólica, de tal modo que, em qualquer actividade, demos testemunho de Cristo aos homens.
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1. Os irmãos, cada um no seu próprio ofício ou encargo, procurem, durante toda a sua vida, desenvolver a cultura espiritual, doutrinal e técnica, bem como cultivar os seus prórios talentos de tal modo que a nossa Ordem possa assim corresponder, constantemente, à sua vocação na Igreja. Por isso mesmo a actividade intelectual deve ser encarada, exactamente como os demais trabalhos, como uma expressão do dinamismo vital da pessoa.
1  Os irmãos, porém, devem estar disponíveis para o trabalho manual, conforme a mais antiga tradição da Ordem, na medida em que o requerer a caridade fraterna ou a obediência, salvando sempre as obrigações próprias de cada um.
2  Os Superiores, tendo em conta os dons e qualidades de cada um dos irmãos e das necessidades da Fraternidade e da Igreja, ofereçam¬lhes a oportunidade, tanto quanto fôr possível, de adquirirem uma especialização em determinadas matérias, providenciando generosamente para que não lhes falte para isso os meios e o tempo necessários.
3  Procurem, também, os Superiores, para bem da Igreja e da Ordem e dos próprios irmãos, ao assinalar-lhes os seus ofícios e encargos, ter em conta a sua capacidade e competência e não os retirem facilmente dos trabalhos em que são peritos.
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1. Seja permitido aos irmãos trabalhar também junto de pessoas de fora, conforme o exigirem o zelo pastoral e o desejo de atender às necessidades próprias e dos outros, de acordo com as condições da Província, tendo presentes as normas que vierem a ser dadas pelo Ministro Provincial, com o consentimento do Definitório ou pela Conferência dos Superiores Maiores, bem como pelo Bispo diocesano.
1  Fique, porém, firmemente assente, que os irmãos que trabalham fora de casa devem viver em união, quer entre si, quer com os outros irmãos.
2  Dêm a todos um verdadeiro testemunho evangélico e tornem presente o amor de Cristo, prestem auxílio aos necessitados, nunca se imiscuindo, imprudentemente, em questões nada condizentes com o nosso estado.
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1. Tudo aquilo que os irmãos recebem, como recompensa do seu trabalho, pertence à Fraternidade, pelo que deve ser entregue sempre e integralmente ao Superior. O trabalho dos irmãos não pode ser avaliado pela mera retribuição que dele se recebe.
1  Os irmãos, porém, não se dediquem a actividades que favoreçam a cupidez do lucro e a vanglória humana, contrários ao espírito de pobreza e de humildade.
2  Mais ainda, devem estar sempre dispostos a trabalhar, mesmo sem retribuição, sempre que o exigir ou aconselhar a caridade.
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1. Os irmãos disponham, diàriamente, de uma conveniente recreação, no sentido de promoverem o convívio fraterno e de restabelecerem as suas forças e a todos seja concedido algum tempo livre para si mesmos.
2. De acordo com os costumes e as possibilidades das regiões, haja recreações extraordinárias e algum tempo de férias; recreações e férias que sejam consentâneas com a nossa condição de irmãos menores.
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1. O Apóstolo Paulo exorta-nos: "Enquanto temos tempo pratiquemos o bem para com todos".
1  Conscientes, portanto, de que a nossa salvação depende de momentos oportunos que não voltam mais e que os homens e as comunidades não se desenvolvem a não ser no decorrer do tempo, respondamos vigilantemente a Deus que também, no tempo, vem ao nosso encontro.
2  A fim de não desperdiçarmos ou gastarmos inutilmente o tempo oportuno, as nossas actividades e trabalhos devem corresponder às condições do tempo presente, tendo em conta uma sábia previsão e planificação do futuro, sem prescindirmos dos meios modernos da técnica.
3  Ocupemos o tempo livre em convenientes actividades intelectuais e físicas; tempo que será para nós muito precioso, sobretudo se, através dos diversos meios idóneos, viermos a conhecer melhor o modo de pensar e de sentir dos homens do nosso tempo, para que, assim, mediante o nosso trabalho, cooperemos mais eficazmente na animação cristã do mundo.

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